É muito comum hoje em dia, escutarmos os profissionais de 40 anos ou mais comentando que gostariam de dar “uma virada na carreira”. Muitos começaram sua vida de trabalho nos anos 90 com gana e entusiasmo de “correr atrás”, fosse do sustento do dia a dia, fosse do tal sucesso corporativo – a ascensão naquela escada imaginária que levava você à sua sala própria, sua secretária, seu carro da empresa, e outros “quetais” percebidos como símbolos de uma carreira bem-sucedida.

E o tempo foi passando, a corrida aumentando de ritmo, as múltiplas demandas drenando a energia, o desejo por subir mais rapidamente aquela escada para enfim poder desfrutar do objetivo alcançado. E a sensação geral, com raras exceções, é de exaustão por haver corrido quilômetros e descoberto que o tal objetivo não era em si mesmo satisfatório; ou então que o prazer se perdeu ao longo do caminho, não importando o objetivo alcançado; ou ainda, que o tal status alcançado não saciou o desejo por “algo mais” que ficou faltando…..

Como estar sedento e beber, beber, beber e continuar com sede. Esse é o tom da maioria das conversas nas mesas de Coaching, nos Happy (não tão happy afinal) Hours, nas mesas de entrevistas por novas posições.

Mas afinal de contas, você tem fome de quê? Essa sede pede o quê? Não tenho a pretensão de elencar todas as necessidades de cada profissional aqui, mas percebo pelo menos três que são mais frequentes e que talvez faça parte da sua FOME:

1) Fome de Inovação – você é até feliz no seu trabalho ou na carreira que escolheu, considera-se realizado, porém gostaria de encontrar uma maneira de fazer diferente o que sempre fez, dar asas à imaginação, buscar soluções ou alternativas que trouxessem novidades. Neste caso, o caminho pode ser um ano sabático (nem todo mundo pode, reconheço) em que o seu foco mude e sua criatividade tenha espaço para se desenvolver. Ou ainda um curso ou convivência com outros profissionais diferentes possam significar uma quebra interessante.

2) Fome de Mudança – aquela inquietude que cutuca o seu íntimo silenciosamente todos os dias, fazendo com que você pese as vantagens e desvantagens de permanecer na empresa ou na posição atual, onde você esteja apenas “pilotando” um projeto já estabelecido, aquela famosa “arejada” tão necessária de atuar em outro segmento, em um start-up, produto novo, gente nova, algo que brilhe os olhos novamente e cuja exaustão ao final do dia seja da adrenalina correndo outra vez. Neste caso, o caminho é realmente conviver com quem está passando por esse ritmo acelerado, trocar ideias com profissionais de outros segmentos, abraçar um projeto de side business totalmente diferente do que você faz, (simultaneamente ao trabalho, se for possível). O pior que você pode fazer é tentar ignorar essa inquietude, pois ela virará frustração em pouco tempo, tirando todo o prazer da sua atividade. Ouça a sua voz interior!

3) Fome de Propósito – Essa talvez seja a mais difícil de lidar das três aqui mencionadas. Trabalhar por trabalhar, ou para ganhar o dia a dia apenas, torna a tarefa penosa, um fardo a ser carregado. E você todos os dias cumpre essa tarefa de ganhar o seu sustento, anestesiando essa necessidade com paliativos que aliviam, mas não resolvem. Às vezes nem trabalhou tanto, mas ao final do dia, sente-se como quem arrastou correntes durante horas, em vez de se sentir vitorioso por haver contribuído com algo. A busca por propósito move o mundo. Nada mais prazeroso do que saber que você foi parte integrante de algo maior, de um projeto produtivo, positivo e que pode auxiliar outros. Conheço um executivo que largou uma bem sucedida carreira para ser Professor de yoga e hoje se considera um ser feliz. Muito mais feliz do que quando ganhava os tubos na carreira Corporativa. Não estou sugerindo que você faça o mesmo, mas que reflita onde está o legado que você quer deixar, o propósito que você está buscando, e corra atrás dele o mais rápido possível! Se este for o seu caso, vire sua própria mesa – a vida é muito curta para passá-la arrastando correntes.

No final das contas, as perguntas e respostas são só suas – Você tem fome de quê?

Celia Spangher é Diretora de Gestão do Talento da Maxim Consultores

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